Os passos do campeão

O thaliano Danilo Silva tem um grande objetivo no esporte: ganhar o título de campeão nacional pela terceira vez.

Quem vê Danilo Leopoldino da Silva pelos corredores da Thalia pode, facilmente, ser cativado pela forma gentil e agradável com a qual trata todas as pessoas. Ele é o exemplo de quem consegue aliar o sucesso pessoal, ao fazer muitas amizades, com as vitórias no seu esporte do coração, o Tênis de Mesa. Aos 78 anos, ele luta para alcançar, pelo terceiro ano consecutivo, o título de Melhor do Brasil na Categoria Veterano.

A proeza foi conquistada depois de muitas vitórias nas inúmeras competições que participou. Nos anos de 2024 e 2025, sagrou-se bicampeão nacional, além de tricampeão paranaense em 2023, 2024 e 2025. A meta, para este ano, é vencer novamente e levantar o tricampeonato brasileiro.

A trajetória para o terceiro título está baseada em um grande planejamento com a descrição, em detalhes, dos passos a serem dados. Lá estão todos os desafios a serem vencidos, as classificações necessárias, os pontos que cada colocação irá garantir, os 7.370 quilômetros de estrada para cumprir os 12 compromissos definidos como essenciais. “Não se consegue nada sem planejamento. Vou atrás da informação para saber com quem vou jogar e a ordem dos adversários. Se o adversário é destro, a estratégia é uma. Se é canhoto, é outro jogo. Tem o histórico de outros jogos e o perfil do adversário, mais defensivo ou não. Tudo importa para definir como irei me comportar na mesa”, explica.

Danilo busca equilibrar o condicionamento físico com uma postura psicológica forte e, assim, conseguir mais recursos para vencer os adversários. “No Tênis de Mesa, o reflexo é muito importante. Já estou mais pesado, um pouco mais lento. Tenho de compensar com a parte psicológica que, neste esporte, ganha jogo. A determinação e como você está na hora do jogo fazem a diferença”, revela.

Danilo deixa fluir o menino que parece não ver as dificuldades ao falar sobre a participação em uma etapa do Campeonato Paranaense. “Em uma sexta-feira, saímos de ônibus às 21 horas para amanhecer em Londrina e tomar café em uma padaria. Às sete horas, com a abertura do Ginásio, teve o aquecimento; às oito, a abertura do evento e, às oito e meia, a competição. A partir daí é jogo atrás de jogo. A chegada no hotel só acontece a uma da manhã do dia seguinte”, conta.

Danilo, ao final da Etapa de Londrina do Campeonato Paranaense de 2026

Sua garra para jogar e a vontade de vencer o levam a superar as maiores adversidades. “Aos 30 anos, fazer essas maratonas é bastante tranquilo. Mas perto dos 80, a coisa começa a pesar”, fala com um tom de voz que mistura sua enorme disposição a uma leve pitada de humor.

Danilo tem, ainda, próteses nos dois joelhos colocadas, depois de outras cirurgias, para poder jogar o Tênis de Mesa. A última, há três anos, foi feita em março e em julho Danilo estava de volta aos treinos na Thalia. “Estava limitado, mal conseguia andar. Fiz as cirurgias para voltar ao esporte. É preciso acreditar no médico, depois na fisioterapia. A recuperação foi muito rápida, resultado de muita vontade, disciplina. Fiquei fã da fisioterapia. Ela completa todo o ciclo da recuperação”, acrescenta. Firme no caminho para alcançar seu objetivo maior – Danilo venceu as três primeiras etapas do paranaense deste ano, resultados que constam do seu planejamento –, o atleta tem uma resposta rápida para a pergunta: “O que é o Tênis de Mesa para você?”. “É vida… O Tênis de Mesa é vida para mim”, diz, com a velocidade de um smash.

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