A psicologia a serviço do esporte

Associada orienta atletas para a obtenção de melhores resultados

Um grupo de mulheres conversa, troca ideias, debate sobre o desempenho de cada uma e, então, elas recebem orientações psicológicas. A cena, que se repete pelo menos uma vez por mês, acontece em um domingo, à tarde, em um dos espaços da Sede Olímpica da Sociedade Thalia. De idades e ocupações diferentes, casadas ou solteiras, elas têm, em comum, a prática do Tênis. Não são profissionais do esporte, mas desejam alcançar os melhores resultados possíveis nas quadras e, intimamente, que a atuação esportiva responda como um elemento complementar, saudável e de apoio às suas vidas.

O trabalho iniciou há aproximadamente um ano, quando a psicóloga e thaliana Paloma da Silva Cortinhas teve a ideia de desenvolver sua pesquisa para o curso de mestrado do qual participa. “O objetivo é aumentar a autoconfiança das mulheres que jogam tênis, a partir da psicologia analítica. Apliquei a metodologia para estabelecer a minha tese e surgiram ideias como a preparação mental para as competições. Então, passei a trabalhar para a superação de vulnerabilidades emocionais”, conta.

A psicóloga Paloma Cortinhas

Os encontros evoluíram em frequência e avançaram para um formato de sociabilização, para compartilhar momentos e estreitar amizades. Atualmente, aproximadamente 30 mulheres estão no processo que nunca perdeu a sua função ligada à psicologia. “Primeiro, tivemos a psicologia do esporte voltada para as mulheres. Depois, veio a parte física, com profissional especializado, para melhorar o condicionamento das jogadoras; e aulas para o aprimoramento técnico”, conta.

Hoje, o grupo tem identidade própria a partir das necessidades percebidas ao longo do tempo. Elas são as “Thalia Tennis Ladies” e possuem até uma logomarca que as identificam. A motivação continua a mesma: jogar tênis, o que acontece, geralmente, nas tardes de domingo em partidas em duplas. Entre os resultados obtidos está a melhora no desempenho esportivo e a conquista de resultados em importantes competições estaduais e nacionais.

Paloma, 28 anos, mestranda em Psicologia, já possui duas especializações, em “Psicologia Analítica” e “Psicologia do Esporte. Sua tese de mestrado deverá ser transformada em um artigo para publicação, ainda em 2026, ao final do curso. Com a tese “Mulheres no Esporte – Autoconfiança em Mulheres que Praticam o Tênis Amador – Uma Contribuição da Psicologia Analítica para a Compreensão do Esporte Feminino”, descobriu diversas características do mundo feminino relacionadas à prática esportiva em relação ao esporte e ao cotidiano das participantes.

VOLUNTARIADO – A psicóloga pratica o Tênis e se coloca no mesmo patamar das demais jogadoras. Mas a percepção da realidade e os sonhos que a acompanharam desde a infância, aliados a sua formação, levaram a profissional à organização do “Thalia Tennis Ladies”. “Quando criança, eu jogava Tênis e queria trabalhar com o esporte. Vi na psicologia uma oportunidade para continuar e unir as duas coisas de que mais gosto: a psicologia e o esporte”, revela.

A participação no grupo é voluntária. E o perfil que encontrou entre as colegas de quadra é um incentivo para seguir em frente. “As meninas são muito engajadas, se dedicam ao que está proposto. Quando estão presentes, empenham-se e gostam muito. No entanto, existe uma dificuldade grande para manter a constância”, acrescenta. A barreira, explica, quase sempre está relacionada a características da mulher. “Como pesquisadora, percebi que, para elas jogarem, tudo deve estar muito bem organizado nas suas vidas pessoais. Se alguma coisa está por fazer ou se aconteceu algo, como, por exemplo, alguém da família precisando de ajuda, elas deixam de ir. O lazer é algo que costumam abrir mão”, diz.

Os resultados percebidos com a pesquisa são, para Paloma, estímulos para continuar. “Gostaria muito de auxiliar o tênis feminino com a psicologia. É uma vontade genuína. Sonho com uma Thalia na posição de referência no cuidado de mulheres. A vontade é grande e envolve a presença e o apoio de muitas pessoas, mas gostaria imensamente de participar de um projeto como esse a longo prazo”, completa.

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