A paratleta thaliana Melanie Passos teve, nos últimos 20 dias, duas das maiores conquistas da sua carreira no Tênis de Mesa: o vice-campeonato no Brasil Open, em São Paulo, em abril de 2026, e a sua primeira convocação para representar o Brasil em um megaevento internacional, os Jogos Parasul-americanos de Valledupar 2026, na Colômbia, de 7 a 15 de julho próximo.
“Estou muito feliz e sou muito grata à Seleção Brasileira que confiou no meu trabalho, à Sociedade Thalia, pelo apoio, e aos professores pela dedicação e incentivo”, diz a curitibana, de 25 anos, que joga pela Classe 10 (andantes), categoria de atletas com maior grau de mobilidade.


Sobre a medalha de prata, a atleta revela que atuar em dupla com Jennyfer Parinos foi um sonho realizado. “Sempre me espelhei nela e fiquei muito honrada em estar ao seu lado nessa grande conquista. Fizemos uma final brasileira e ganhamos muitas medalhas para o País”, afirma.
Família e inspirações
Melanie joga desde os 10 anos e sua maior referência sempre foi a avó, Maria Luiza Pereira Passos, também paratleta do Tênis de Mesa e representante do Brasil em três paralimpíadas (Athenas, Pequim e Londres). Aos 73 anos, a avó continua como a melhor atleta na Classe 5 para cadeirantes com maior grau de mobilidade. “O esporte transformou a vida dela e o futuro da nossa família. Tenho enorme gratidão pelo Tênis de Mesa. Pelo que ele fez pela minha avó e por mim”, fala.
Melanie revela que sempre sonhou em participar de uma grande competição ao lado da avó. Isso foi possível no Panamericano de Tênis de Mesa, em 2025, quando ambas jogaram e conquistaram suas medalhas. “Eu prata e ela bronze”, conta. Entre os títulos já conquistados estão um campeonato brasileiro e um segundo lugar em uma Etapa de Campeonato Mundial.
Bolsa e outros estudos
A thaliana que já esteve em estudos no Japão, trabalha com engenharia de dados e cursa Ciência de Dados na Universidade Federal do Paraná. Ela divide seu tempo entre a vida de atleta, o trabalho e a faculdade. “Ganhei uma bolsa da AFS Intercultura para estudar no Japão. De lá, trouxe a palavra Gambatte usada para desejar que uma pessoa dê o seu melhor em qualquer situação. Gosto muito do termo e uso sempre. É motivacional”, explica.
O curso de graduação está um pouco mais demorado do que o normal por conta da vida de atleta e de uma pausa durante a pandemia. “Estou em vários períodos ao mesmo tempo. O curso exige muito e o esporte também. É preciso administrar o tempo, mas estou avançando. Não sou de desistir de nada. Já pensei em parar com o Tênis de Mesa, mas acabo sempre voltando. Acho muito triste largar alguma coisa”, acrescenta.
Melanie fala quatro idiomas com fluência: japonês, inglês, espanhol e o português. A mãe, Marjorie, é profissional da área de marketing e gerente em uma multinacional de tecnologia de segurança em transporte e o pai, Ademaro, atua na área de dados em uma petrolífera. Ela conta que eles sempre foram referência e exigentes apoiadores. Firme nas suas decisões, a atleta da Thalia diz que o momento atual é o mais importante. “Tenho alguns sonhos, mas não penso muito. Uma paralimpíada, talvez. Intimamente, busco me encontrar no cristianismo, identificar os meus propósitos de vida e aceitá-los de bom grado. O futuro será consequência do que faço hoje e com qual intensidade e dedicação tudo é feito”, preconiza.